sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Bate ou bits

Nunca antes na história deste país se viu tantas minorias flotando na superfície das correntezas dessa sociedade poluída, só faltava a manifestação raivosa, como não poderia deixar de ser, da MAFÉ “Movimento Alternado da Falta de Educação”, se bem que, com a quantidade de adeptos essa não se encaixa no critério de minoria.

A democrática frequência modulada da internet, evidencia os mais íntimos comportamentos textualizados, fotografados e filmados divulgando aos quatro cantos do planeta para quem quiser, e quem não quiser também, qual musica você mais gosta, só quem pega ônibus e trens sabe do que falo, a comida preferida, os mais variados artistas, sempre os de habilidade duvidosas, sim, pois se houvesse interesse coletivo em sua arte, não divulgaria de forma gratuita, anônimos sedentos pela afamada vitrine, e o reconhecimento dos seus 30 segundos como celebridade.

Custe o que custar, ao contrário do programa do careca, a cada rolagem na barra da time line da criatividade, me pergunto: Tás brincando comigo? Como diria o velho deitado “se conselho fosse bom, ninguém dava” o desespero para ser visto e acarinhado por um misero like, transformou os navegantes da rede em náufragos presos pela busca de postagens que despertem a generosidade digital alheia. Se no início dos e-mails os spans era a mais popular e indesejada forma de contato, a evolução dos meios proporcionou as mais impagáveis imagens reproduzidas na tela do seu computador, quem não se gabou de abandonar a velha plataforma Orkutizada, transferindo o rolezinho para a “Oscar Freire” da internet, e no Livro Caras encontraram na ostentação um código de reconhecimento e aproximação social.

As pessoas administram seus avatares com critério e manual de uso de imagem, seguindo marcas referencia entre suas tribos, curtindo postagens que agreguem valor a sua página, manifestando opiniões textualizadas mas dificilmente operacionalizada, um mundo perfeito em bits.

Difícil entender é que, ser celebridade tem seu preço, quem fala o que quer, ouve o que não quer, desde que seja politicamente correto, suas postagens não passam daquela média de like’s, dos amigos mais próximos que tenham o mínimo de apreço pela sua atenção, mas basta alguém se ofender, aí sim, será catapultado para a notoriedade, sentirá na pele a aventura do que é sair pelas ruas e ser reconhecido, fotografado e processado!

Professores, reitores, advogados, pedreiros, estivadores, estudantes, nem-nens, entre tantos profissionais ou não, pessoas respeitadas ou não, despencando sem paraqueras no mesmo ambiente, entre as nuvens da falta de privacidade patrulham a moral os bons costumes, denunciam a gula cometendo a luxuria em nome da vaidade, descobriram nas caracteristicas intrícincas do ser humano conteúdo infindável, até aí, nada diferente do que ocorre a milênios entre comadres?

Como se não houvessem problemas reais, a cultura dos puxadinhos como solução permanente nas cidades, a colcha de retalhos da infraestrutura e oferta de trabalho concentrada transformaram a convivência entre habitantes em guerra, experimentamos nas únicas 3 cidades deste país índices populacionais superior aos japoneses sob o agravante do calor dos trópicos sem a educação oriental, uma mistura fermentada de diferentes culturas e hábitos distintos.

Na teoria da subjetividade os conceitos são facilmente alinhados, na internet todos pregam igualdade, mas não aceitam as diferenças, o que prevalece no direito de um em detrimento do outro, por que o caos toma conta das pessoas e um simples por favor, por gentileza, obrigado, se torna guerra pelo direito individual como imposição coletiva? Estamos na direção correta na defesa das bandeiras das minorias utilizando a mesma moeda que indivíduos despreparados para experiência de viver? Parece uma epidemia sem cura.




Até breve.

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