quinta-feira, 30 de maio de 2019

Brasilândia

Algumas teses econômicas estabelecem que a cultura do brasileiro sustenta na facilidade de uma terra fértil e abundante a condescendência, flexibilidade até o desprezo pelas regras e consequentemente falta de organização e empenho para construção e desenvolvimento do país. Trocando em miúdos o que vem fácil, vai fácil.

Com características semi continentais que ultrapassam as dificuldades territoriais emaranham-se pelas diferenças culturais e engalfinham-se na desigualdade econômica de diversos países dentro de um só, as regionalidades sobrevoam a profundidade de entendimento em recorrentes figuras mitológicas humanamente impotentes diante da magnitude aritmética que sucumbem na loucura coletiva ao posto de divindade encarnada na popularidade.

Figuras celestiais rasteiras alçadas como predestinados a salvação da lavoura, disputam cada vez mais cedo a indicação do boi de piranha da vez, um único culpado das aflições de um povo machucado pela falta de investimentos, estagnação econômica, desemprego e oportunidades é garantida, salvaguardados pela pretensão inimputável de soluções estruturais de medidas administrativas descontinuadas.

Seguimos desorientados, confusos, batendo cabeça sem saber ao certo quem são os Brasileiros e Brasileiras que estão fartos do achincalhamento político, das promessas de caça aos marajás, das disputas por heranças amaldiçoadas e da cleptocracia generalizada, dos que se aproveitam da nossa incapacidade de organização e profunda dependência mítica para justificar as consequências binárias entre os que falam o que queremos ouvir, e os que nos contradizem.

Para quem não sabe aonde ir qualquer lugar serve, sem destino cada região atola na demagogia crônica da temporaneidade. Políticos Profissionais, orgulham-se alguns dos mais de 40 anos de vida pública, distanciados e distantes dos verdadeiros problemas. Agora, me digam, como um sujeito em sã consciência é capaz de orgulhar-se dos últimos 40 anos? Podemos chamar isso de vida pública? ou morte pública? Nossa média é péssima!

Brasil ocupa a 72º posição entre 140 que impõem a maior sobrecarga de regulações, excesso de autorizações e exigências burocráticas governamentais é um dos menos preparados para o “Future - ready”, adaptação da economia à nova revolução tecnológica segundo o Fórum Econômico Mundial.

A sobrecarga desnecessária de regulações além de travarem a abertura de novas empresas, investimentos para abertura e modernização industrial criam espaços para corrupção e decisões arbitrárias que provocam atrasos, aumentam os custos de transações, reduzem a prestação de contas (accountability) penalizam de forma desproporcional o cidadão médio e as empresas menores.

Essa letargia ineficaz estatal nos confere a 97º posição no quesito instituições pelo fraco desempenho do setor público e à percepção sobre altos níveis de corrupção no país. Numa América Latina vista como a região mais corrupta do mundo liderada pela Venezuela.

Como podemos discutir medidas organizacionais básicas de gestão administrativas que qualquer birosca tem que respeitar para manter suas portas abertas, se estamos flertando com a ineficiência institucional, leia-se falta de competência, recursos humanos e recursos financeiros para atender as mais variadas necessidades em tempo de escassez? com um legislativo tomado pela espetacularização midiática, desrespeito os indivíduos que impõem suas vontades intimidando e desqualificando interlocutores ideológicos na justificativa de compensações históricas?

Como bem usado na argumentação do vídeo abaixo, daqui trinta anos teremos os filhos da previdência, aqueles que foram prejudicados e já nasceram devendo R$ 300 mil para pagar a conta dos irresponsáveis que relativizam o que deve ser feito com o que gostaríamos que fosse feito.

O Brasil é um assalariado mínimo brasileiro criando três filhos adolescentes querendo calça de marca, tênis da moda, celular de última geração, tablet, computador e mesada para diversão. Qual é? Me digam, Qual é? O brasileiro que consegue a proeza de se livrar das dívidas nessas condições em um país em que essa armadilha econômica gera juros de mercado de 238%? Esse país é inviável!

Infelizmente.

Até Beve.



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