quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Republica de Fantasia

 As manifestações que invadiram as ruas em junho de 2013 foi uma demonstração de parte da população insatisfeita com os rumos da política dos mais de 12 anos de um partido popular que ameaçava a estabilidade da classe média com medidas econômicas duvidosas e sem sustentação produtiva.

O hábito da política sempre foi delegado aos políticos que se popularizaram com os movimentos grevistas por direitos trabalhistas de chão de fábrica e pela liberdade nas universidades até que a política começa a fazer parte das redes sociais, manifestações a favor e contrárias a políticas populistas e conservadoras polarizadas em figuras eletivas.

Discussões econômicas desprezadas pela parte ativa sustentaram a catequização das demandas sociais de um número constante de inativos desenhando os contornos econômicos dos anos 1980 até meados de 2012.

Anos de repressão de ditadura militar teve sua sucessão com um presidente eleito pelo voto direto e um mandato exercido pelo vice em face do falecimento do titular, sucessivos planos econômicos fracassados, inflação galopante que inviabilizava qualquer projeto de médio prazo minavam a construção de um pais pobre com crescente demandas sociais refletidos numa crença que elegeu uma figura tão jovem quanto a experiência do voto direto, dinâmico e promissor como seu salvador.

A saga brasileira ganhava recortes policiais, do combate aos marajás ao confisco financeiro das poupanças e assassinatos federais corroeram os pilares da nação que desaba em declarações incestuosa na recorrência de práticas promiscuas e desvios de baixo calão.

Derruba-se o presidente e institui-se um governo de emergentes da democracia com receio de voltarem ao exilio, com as barbas de molho instituem a coalisão necessárias para adoção das medidas de contenção da falência do estado e remendo dos pilares mínimos de organização institucional.

Uma nova moeda para um novo país, inflação controlada era necessário estabelecer agora parâmetros de controle dos gatilhos que insistiam em manter o pais em constante patinação, controle inflacionário estabelecendo a necessidade que qualquer dona de casa sempre soube, não gastar mais do que ganha, num país pobre isso significa sobreviver com um cobertor curto.

A geração de riqueza sempre foi cooptada pela parte obesa de uma sociedade gulosa que alimenta o próprio empobrecimento acumulando vantagens estimulando crenças em nome da desigualdade, embrionado seus próprios demônios sustentados nas fábulas entre o bem e o mal renova a história com novas mentiras. 

O povo enfim alcança o poder lambuzado nas próprias crenças compartilhando entre o céu e a terra a forma mais fácil de encher cabeças vazias com vento.                   

Mentes vazias oficina nas mais diversas direções sem dizer a que veio quanto mais aonde vai, vivemos os efeitos de uma fantasia distópica  numa mistura literal de Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Marquês de Sade e George Warhol, Carl Jung e Paulo Coelho infantilmente defendendo a chegada do Papai Noel, os ovos de chocolate do Coelhinho da Páscoa ou prosperidade de Robin Hood.

Perdemos o lenço e o senso não sabemos para onde ir até porque, não podemos ir. #fiqueemcasa. 

Acompanhe as melhores histórias e série em capítulos no streaming.



Até breve. 

domingo, 18 de julho de 2021

Reação de consumo

Marketing é a ausência dos aspectos negativos que geram ruído na experiência de consumo ou relação com empresas e pessoas.

Diferente do sinal de internet, do serviço de tv a cabo, ou um equipamento que percebemos sua importância apenas quando falta, o marketing desenvolve a engrenagem que integra todas as pontas de contato a fim de evitar essa sensação de falta, ou seja, do conceito e desenvolvimento de produto adequado até a cadeia de suprimento, da experiência de consumo ou o impacto que a imagem de uma empresa desperta no mercado esteja de acordo com os esforços.

Toda a cadeia desde pesquisa de mercado, criação, desenvolvimento de protótipos que ganharão escala de produção e todo suporte de distribuição de produtos ou serviços o primeiro impacto com o consumidor depende da propaganda, pela indicação de um amigo, um conhecido ou mesmo pelo simples fato de vermos as pessoas consumindo em anúncios que despertam nosso interesse pelo desejo ou necessidade.

A relação de consumo varia de pessoa para pessoa, o nível de conhecimento que cada uma exige antes de efetivar a relação com uma marca ou produto é individual. Os mais racionais pesquisam com embasamento sobre o tema realizam comparativos técnicos, mas, outros são puramente emocionais, utilizam a relação de compra para sanar questões pessoais levados pela cor, formato ou mesmo pela ideia do que aquele produto promete, sem necessariamente considerar aspectos racionais.

O conforto e acesso a informação com uma infinidade de ofertas aleatórias estimulam consumo por impulso e a vasta disponibilidade de crédito fez com que muitas pessoas comprassem coisas que nunca chegaram a usar ou produtos de qualidade questionável até situações críticas de endividamento e consequentemente comprometimento da saúde financeira pessoal.

Essa dinâmica estabeleceu uma relação de compra e consumo com marketing e propaganda de amor e ódio.  A experiência e o amadurecimento do consumidor exige cada vez mais responsabilidade das cadeias de atuação, transformação de modelos integrados centrados no cliente e o respeito aos valores ambientais e sociais despertam mais atenção e necessário empenho das companhias.

A qualidade de produtos ou serviços dependem diretamente do nível de exigência dos consumidores, e a saúde e a relevância das companhias do impacto que elas serão capazes de proporcionar positivamente.

Até breve.     





domingo, 4 de julho de 2021

Cultura incerta

 

A humanidade vive mais uma transformação cultural, mais subjetiva e mais profunda do que as anteriores. Subjetiva porque é digital, parte tangível da confiança no mundo foi elevado a nuvem, mais profunda porque diferente das anteriores facilitaram a forma como vivemos, esta definirá os novos hábitos.

 A pandemia acelerou o processo previsto para as próximas décadas nos últimos dois anos.

Congestionamentos deram lugar às ruas vazias, conveniência, conforto e segurança do convívio em grupo em ameaça de aglomeração.

O modelo de vida nos apartamentos condenou famílias ao confinamento despertando a necessidade e a importância da proximidade com a natureza. A resistência de adaptação para abandono dos hábitos e da infraestrutura urbana foi vencida pelo desejo de liberdade e qualidade de vida.

Todo excesso reflete um distúrbio e o caminho do meio depende de equilíbrio para que seja possível desenvolver sintonia para compreensão, integração e cooperação produtiva.

A dinâmica do agora distancia cada vez mais os indivíduos que anulam suas percepções na angústia insaciável de atender desejos exagerados. Como um parafuso torto que demanda mais esforço para apertá-lo e desperdiça energia vital danifica tanto parafuso, quanto a rosca.

Populações globais dependentes de multinacionais que por sua vez dependem cada dia mais da redução de custos com a automatização de processos como forma de aumentar a competitividade.

Um modelo centenário da primeira revolução industrial segue no mesmo ritmo e na mesma direção concentração produtiva e dependência de financiamento.

Como a terra exaurida pela monocultura perde seus nutrientes, o sistema financeiro de exaustão impacta os ciclos produtivos concentrado nas extremidades.

Vivemos um momento de disrupção, de transformação, temos a oportunidade de realizar as mudanças necessárias em direção a novos modelos e diversificar os formatos com novos ecossistemas integrados em sinergia.

A pandemia reforça a relevância histórica desse momento, essas transformações dependem de novas atitudes individuais e coletivas, testemunhamos mudanças culturais significativas, de retratações históricas necessárias, compreensão e aceitação das diferenças para conseguirmos dar os próximos passo em direção ao futuro.

Futuro da diversificação, da pluralidade, da cooperação, as únicas certezas que demonstram os caminhos dos melhores resultados.

 

Até Breve. 

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Estudo e Liberdade

A capacidade e repertório de linguagem determina a complexidade dos pensamentos de uma pessoa. Quanto maior o vocabulário de uma pessoa maior será sua capacidade de compreender seus próprios sentimentos e desejos para então expressá-los por meio de palavras se relacionando com o mundo de forma mais harmoniosa e efetiva. 

Estudos recentes indicam a redução do QI global devido a redução do vocabulário, haja visto, que a redução da articulação das palavras restringe a capacidade de desenvolvimento de pensamentos mais complexos limitados as ideias imediatas. Sem a possibilidade de interpretação, compreensão e desenvolvimento de formulações mais sofisticadas, especialistas alertam as implicações resultantes dessa deficiência, entre elas o aumento da violência. 

O psicólogo Austríaco Alfred Adler, divide os traços da personalidade dos seres humanos a partir do nascimento, essa condição de fragilidade determina a linha que cada um de nós utiliza para alcançar seus objetivos por dois caminhos, sucesso ou superioridade. 

Pessoas que trilham o caminho do sucesso são mais dedicadas ao desenvolvimento coletivo e as pessoas que agem pela superioridade muitas vezes o fazem com a deterioração do coletivo. Pessoas guiadas pelo desenvolvimento coletivo são mais solicitas e dispostas a ajudar outras pessoas, por outro lado, quem age com base na superioridade tende a reforçar as deficiências como forma de assegurar seus objetivos.

O médico e matemático Enéas Carneiro definiu dentro da sua área de conhecimento, a composição dos seres humanos com base na carga genética, uma analogia entre a capacidade de armazenagem de dados de um disquete, na época, e o DNA humano. 

Seguindo a linha de raciocínio, a quantidade de dados que cada elo de DNA é capaz de armazenar, um único ser humano carrega consigo uma quantidade de informações representadas se fossem impressos em mais de 4 mil volumes. 

Carl Jung, psiquiatra e psicoterapeuta Suíço, traduz a mesma ideia matemática descrita pelo Dr. Enéas em inconsciente coletivo. Camada profunda da consciência humana, território desconhecido da ciência, mais ainda da pessoa que a carrega, imprime relevante características da personalidade e comportamento, já que as informações contidas em cada DNA representa uma cadeia ancestral milenar que nos afeta hoje. 

Essa condição, seja ela mais aguda descrita pela capacidade e domínio verbal para expressão das necessidade e desejos, ou mais ampliado pela carga genética que nos orienta foi descrita pelo filósofo, Clovis de Barros Filho, na incompreensão pelo empenho das grades curriculares no estudo das mitocôndrias e a negligência com lições básicas de convivência entre seres humanos.

Somos completamente ignorantes de nós mesmos e, por mais conhecimento que um ser humano é capaz de acumular jamais terá o domínio da profundidade da complexidade que nos envolve. 

Educação representa a capacidade de cada um definir o que significa liberdade. A percepção pessoal define a vida, que vale a pena ser vivida.




Até Breve,

segunda-feira, 17 de maio de 2021

Significado

 

Neste 17 de maio de 2021, 6 Anos do falecimento do meu pai que completaria 66 anos, minha saudade na lembrança da sua vida se confundem com a minha, mais do que a relação genética e cultural obvia, mas pela semelhança e recorrência subjetiva me pego pensando em significado.

O significado das nossas vidas, o que representamos em existência? Algumas pessoas são profundamente ligadas às memórias, outras não se conectam com a subjetividade das memórias vivendo exclusivamente a experiência do real esquecem do que é importante.

Essa percepção depende da relação de cada um com seus estímulos. Sentidos externos anestesiam a percepção subjetiva, um ambiente de luz, cores, sons, aromas, texturas são tão excitantes quanto sua recorrência, enquanto o subjetivo assusta pela profundidade de nós mesmos, optamos por permanecer na superficialidade anestesiados de externalidades cada vez mais estimuladas a atender expectativas insaciáveis.

Não me refiro aqui da dicotomia econômica entre socialismo vs capitalismo dogmas administrativos, essa “homenagem” se destina ao significado da existência humana, longe do juízo de valores ou de análises fundamentalistas.   

Quem chega à Times Square, praça mundialmente conhecida da cidade de Nova Iorque, chamada por alguns de centro do planeta, justificado pela intensa rotatividade de turistas vindos de todos os continentes do globo, é anestesiado imediatamente pelos estímulos que esse endereço é capaz de causar. A concentração cosmopolita de pessoas desperta curiosidade pela pluralidade de figuras, idiomas, culturas e roupas que circulam por ali, cada um procurando exibir sua unidade, exclusividade, individualidade nesse congestionamento cultural.

Mas é a noite que todas as suas sensações são absolutamente neutralizadas pela atividade dos seus olhos que não conseguem aportar em um ponto fixo. Completamente desorientados percorrem 360 graus a luminosidade da praça mais iluminada do planeta. Informação por todos os lados, imagens de todas as marcas do mundo, anúncios de filmes, uma escadaria que abriga uma grande bilheteria da Broadway com todas as peças de teatro, megas stores lotadas, pessoas de todos os lugares, de todos os lados, curiosos pela concentração de gente, hábitos e culturas estimulados no espetáculo do templo global.

Não longe dali, no coração da ilha de Manhattan, o central park um refúgio d-tox do centro nervoso, afastado das luzes da Times Square e do barulho do mercado de Waal Street. Pode ser que não seja possível se conectar aos seus valores individuais, perceber seu verdadeiro talento, sua vocação, ou mesmo perceber os indivíduos a sua volta, mas são os 5 minutos necessários para o próximo round ao melhor estilo Rocky Balboa. “Não importa o quanto você bate, mas sim o quanto aguenta apanhar e continuar. O quanto pode suportar e seguir em frente. É assim que se ganha.”

Qual é sua luta? Qual é sua vitória? Pelo que lutar?  

Nesse dia de lembrança que o tempo transformou em saudade, a percepção das lutas pela vida que o mesmo tempo anestesia ao longo de um ano é simbólico. Perdas pessoais de entes próximos e dos próximos da mídia, seja pelo Covid ou outros males que nos atingem aleatoriamente. Chocam as perdas precoces de jovens como do Paulo Gustavo e Bruno Covas pela interrupção da esperança, da antecipação da vida, mas machucam também perdas de referências como Eva Wilma e minha querida tia Maria Alice.

Para mim, particularmente, é o significado que desperta a responsabilidade que devemos prestar mais atenção aos detalhes anestesiados pelas externalidades. Redes sociais com mais de um milhão de amigos não cantam como prometeu Robertão, tão pouco nos aproximou.

Seguimos lutando, round após round, distanciados e cada vez mais distantes, fazendo o possível, dançando conforme a música, seguindo a viagem.

Qual é o seu significado?









Até Breve.

terça-feira, 20 de abril de 2021

QI

Pesquisado os impactos da instantaneidade, e as consequências do abandono de discussões mais profundas lastreadas na fundamentação dos fatos para entender à que? Ou à quem interessa esse impulso visceral ou se representa apenas um fenômeno da ansiedade contemporânea, me deparei com algumas coincidências intrigantes.       





Na última entrevista do Pedro Bial ao Manhattan Connection, além da exigência do polígrafo para entrevistas editadas, falavam sobre o novo documentário de Ernest Hemingway, o qual ainda não vi, mas, que aguçou minha curiosidade sobre a abordagem de particularidades controversas do jornalista escritor ora expostas. O que me remeteu a foto que tirei de sua Cornona em sua casa em Key West em que no papel dizia: Se um escritor sabe o suficiente sobre o que está escrevendo, pode omitir coisas que sabe. A dignidade do movimento de um iceberg se deve ao fato de apenas um nono estar acima da água. - Ernest Hemingway.

Fazendo um paralelo entre o brilhante escritor e o cidadão oculto, indigno pela exposição de suas profundidades. Estamos presos numa espécie de exploração da intimidade para condenação instantânea das fraquezas humanas? Reféns de conclusões precipitadas com base no efêmero?

O que me assusta nessa contemporaneidade instável é a falta de empenho no devido reconhecimento dos virtuosos para adoção de metodologias mais precisas de pesquisa natural de evolução dos processos pela estagnação no desejo visceral de exposição condenação publica desclassificatória do contraditório.

Heráclito dizia “Ninguém é capaz de mergulhar duas vezes no mesmo rio, porque a cada vez que se entra novamente, nem a água será a mesma, nem quem entra o será. Assim, tudo é regido pela dialética, só a contraposição e contradição de ideias podem levar a outras ideias, a tensão e o revezamento dos opostos. Diametralmente a realidade é fruto da mudança, ou seja, do confronto entre os contrários.”

Alguns estudos demonstram consequências profundas da limitação das discussões e que remetem a redução do QI, veja só, em países desenvolvidos o que não fará com o Brasil?

O Efeito Flynn que mede o quociente de inteligência médio (QI) que cresceu continuamente desde o segundo pós-guerra até o final dos anos 90, aponta que desde então, o QI vem diminuindo. É a inversão do Efeito Flynn.

Entre os impactos a redução do vocabulário dá origem a um pensamento quase sempre no presente, limitado ao momento, incapaz de projeções no tempo. Muitos estudos têm mostrado que parte da violência nas esferas pública e privada decorre diretamente da incapacidade de descrever as emoções em palavras. Sem palavras para construir um argumento, o pensamento complexo torna-se impossível.

Dessa forma, manter provocações ativas e constantes nessa terra árida de oportunidades, incentivadora de bajuladores, onde bajulados não se dão conta dos prejuízos de alimentar um debate estéril de ideias é um ato de resistência.

Paulinho Moska descreve com perfeição na música Muito Pouco.  

Pronto

Agora que voltou tudo ao normal

Talvez você consiga ser menos rei

E um pouco mais real

Esqueça!

As horas nunca andam para trás

Todo dia é dia de aprender um pouco

Do muito que a vida traz

Mas muito pra mim é tão pouco

E pouco é um pouco demais

Viver tá me deixando louco

Não sei mais do que sou capaz

Gritando pra não ficar rouco

Em guerra lutando por paz

Muito pra mim é tão pouco

E pouco eu não quero mais

Chega!

Não me condene pelo seu penar

Pesos e medidas não servem

Pra ninguém poder nos comparar

Porque

Eu não pertenço ao mesmo lugar

Em que você se afunda tão raso

Não dá nem pra tentar te salvar

Porque muito pra mim é tão pouco

E pouco é um pouco demais

Viver tá me deixando louco

Não sei mais do que sou capaz

Gritando pra não ficar rouco

Em guerra lutando por paz

Muito pra mim é tão pouco

E pouco eu não quero

Veja

A qualidade está inferior

E não é a quantidade que faz

A estrutura de um grande amor

Simplesmente seja





 

Até breve.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Maquiavélico "Sem escrúpulos; pérfido: habilidade maquiavélica."

Os fins justificam os meios. Mentir, distorcer os fatos, ameaçar opositores, tirar o poder dos ricos e dar aos pobres, usar de charme, palavras bonitas e de efeito para manter-se no poder, no cargo, ou mesmo justificar seus erros. Ok, todos leram O Príncipe, de Maquiavel. Realismo político e pessimismo antropológico.    

Qualquer semelhança depois de 521 anos não pode ser chamada de coincidência. 

Ano após ano, ainda vivemos na ilusão dos Mandrakes populistas de plantão, salvadores da pátria, vendedores de facilidades, riqueza fácil ao simples toque de um click no mouse ou da urna eletrônica e pronto, seus problemas acabaram. Como num passe de mágica somos ludibriados por super heróis que prometem entregar o Cristo Redentor, um bilhete premiado de loteria ou porque não, resgatar um país entregue a própria sorte e guiá-lo ao seu legitimo destino da abençoada prosperidade?

Encanto viabilizado pela miséria, que facilita a crença de quem não tem mais nada a perder na dança das compensações descompensadas Tupiniquim, onde os inimigos se beijam, opositores se abraçam deixando os conflitos a cargo dessa brava gente brasileira se repete, segue o destino de onde começou trocando espelho por esperança.

Mas se existe um herói da nação que ninguém duvida são as commodities, celeiro do mundo o setor do agronegócio. Esse gigante que salvou literalmente a lavoura nas últimas décadas confirmou sua vocação natural, manter o sustento milhares de sonhos projetados para o país do futuro.

Como toda história tem dois lados e mentiras repetidas se tornam verdades, quando a esmola e demais até mesmo o santo desconfia, a moral da fábula interpreta o interesse de quem conta.

Da adoração aos deuses da mitologia antiga como estratégia de garantia de previsão da produção agrícola familiar aos benefícios de categoria da mitologia contemporânea dos governantes urbanos, uma nova roupagem para complexidade das consequências de decisões monocráticas populistas.

Enquanto os Estados Unidos garantiram a vitória dos aliados na 2º guerra mundial e sustentou toda uma nova economia de escala com base no desenvolvimento industrial na linha de montagem de Henry Ford que entre suas medias dobrou o salário dos seus funcionários para que estes tivessem a oportunidade de também se tornarem seus clientes, o Brasil, de Getúlio Vargas, assegurava benefícios aos trabalhadores. 

Direitos trabalhistas e contribuições sindicais a fim de evitar a exploração dos pobres funcionários da indústria, uma política de defesa dos desamparados estimulou a migração das áreas rurais para os grandes centros urbanos e assim o abandono da agricultura familiar.    

Boas intenções e política de estado para garantir não apenas justiça social e condições de trabalho pesam a mão sobre os domínios privados, exigem não apenas empregabilidade, mas uma poupança para cada empregado, além é claro de todos os encargos tributários necessários para financiar as demandas de um estado generoso.

Esses benefícios, somados a alta carga tributária aumentaram os custos de produção com percentuais que variam entre os entes da Federação declarou a guerra fiscal estadual como forma de garantir postos de trabalhos e produção local, insuficientes para competividade internacional, tornaram a indústria nacional dependente exclusivamente do consumo interno, do poder de compra dos brasileiros. Não a toa somos o país do crediário, levamos o conceito de alavancagem financeira para o consumo, somos um pais dependente de dívidas para sobreviver.

Setenta e oito anos depois a indústria nacional respira por ingenuidade mitológica, dependente de medidas populares, financia o almoço sem saber ao certo como pagar o jantar. Uma massa de mais de R$ 14 milhões, algumas estimativas chegam em torno de 10% de toda população, 20 milhões de desempregados entre outros tantos desalentados, mão de obra que não consegue produzir seu próprio sustento, porque comprou um apartamento na cidade á prestações, que dependem da produção industrial que por sua vez depende de isenção fiscal e do crediário para pagar o seu salário.

Qualquer semelhança não é mera coincidência. O oportunismo cobra o preço da desorganização chamada Brasil. O celeiro do mundo se vê diante de seu maior fantasma, refém do poder multiplicador do dinheiro gerada pela dívida de manter heróis que justificam os meios, mentindo, distorcendo os fatos, ameaçando opositores usando de charme, palavras bonitas e de efeito para manter-se no poder, no cargo. 

Ok, nem todos leram O Príncipe, de Maquiavel.  

Realismo político e pessimismo antropológico. 

Precisamos mudar esse enredo.     

Conta a história que os Japoneses passam 3 anos planejando e 6 meses executando. O brasileiro não se conforma com o desperdício de tempo, passa 6 meses planejando e 3 anos executando, quando entrega a obra.

A vida é assim. Para começar a subir, é necessário primeiro parar de cavar. Quando a gente não observa e pensa para que faz o que faz, talvez esteja ainda cavando.   



Até breve.