Os fins justificam os meios. Mentir, distorcer os fatos, ameaçar opositores, tirar o poder dos ricos e dar aos pobres, usar de charme, palavras bonitas e de efeito para manter-se no poder, no cargo, ou mesmo justificar seus erros. Ok, todos leram O Príncipe, de Maquiavel. Realismo político e pessimismo antropológico.
Qualquer semelhança depois de 521 anos não pode ser chamada de coincidência.
Ano após ano, ainda vivemos na ilusão dos Mandrakes populistas de plantão, salvadores da pátria, vendedores de facilidades, riqueza fácil ao simples toque de um click no mouse ou da urna eletrônica e pronto, seus problemas acabaram. Como num passe de mágica somos ludibriados por super heróis que prometem entregar o Cristo Redentor, um bilhete premiado de loteria ou porque não, resgatar um país entregue a própria sorte e guiá-lo ao seu legitimo destino da abençoada prosperidade?
Encanto viabilizado pela miséria, que facilita a crença de quem não tem mais nada a perder na dança das compensações descompensadas Tupiniquim, onde os inimigos se beijam, opositores se abraçam deixando os conflitos a cargo dessa brava gente brasileira se repete, segue o destino de onde começou trocando espelho por esperança.
Mas se existe um herói da nação que ninguém duvida são as commodities, celeiro do mundo o setor do agronegócio. Esse gigante que salvou literalmente a lavoura nas últimas décadas confirmou sua vocação natural, manter o sustento milhares de sonhos projetados para o país do futuro.
Como toda história tem dois lados e mentiras repetidas se tornam verdades, quando a esmola e demais até mesmo o santo desconfia, a moral da fábula interpreta o interesse de quem conta.
Da adoração aos deuses da mitologia antiga como estratégia de garantia de previsão da produção agrícola familiar aos benefícios de categoria da mitologia contemporânea dos governantes urbanos, uma nova roupagem para complexidade das consequências de decisões monocráticas populistas.
Enquanto os Estados Unidos garantiram a vitória dos aliados na 2º guerra mundial e sustentou toda uma nova economia de escala com base no desenvolvimento industrial na linha de montagem de Henry Ford que entre suas medias dobrou o salário dos seus funcionários para que estes tivessem a oportunidade de também se tornarem seus clientes, o Brasil, de Getúlio Vargas, assegurava benefícios aos trabalhadores.
Direitos trabalhistas e contribuições sindicais a fim de evitar a exploração dos pobres funcionários da indústria, uma política de defesa dos desamparados estimulou a migração das áreas rurais para os grandes centros urbanos e assim o abandono da agricultura familiar.
Boas intenções e política de estado para garantir não apenas justiça social e condições de trabalho pesam a mão sobre os domínios privados, exigem não apenas empregabilidade, mas uma poupança para cada empregado, além é claro de todos os encargos tributários necessários para financiar as demandas de um estado generoso.
Esses benefícios, somados a alta carga tributária aumentaram os custos de produção com percentuais que variam entre os entes da Federação declarou a guerra fiscal estadual como forma de garantir postos de trabalhos e produção local, insuficientes para competividade internacional, tornaram a indústria nacional dependente exclusivamente do consumo interno, do poder de compra dos brasileiros. Não a toa somos o país do crediário, levamos o conceito de alavancagem financeira para o consumo, somos um pais dependente de dívidas para sobreviver.
Setenta e oito anos depois a indústria nacional respira por ingenuidade mitológica, dependente de medidas populares, financia o almoço sem saber ao certo como pagar o jantar. Uma massa de mais de R$ 14 milhões, algumas estimativas chegam em torno de 10% de toda população, 20 milhões de desempregados entre outros tantos desalentados, mão de obra que não consegue produzir seu próprio sustento, porque comprou um apartamento na cidade á prestações, que dependem da produção industrial que por sua vez depende de isenção fiscal e do crediário para pagar o seu salário.
Qualquer semelhança não é mera coincidência. O oportunismo cobra o preço da desorganização chamada Brasil. O celeiro do mundo se vê diante de seu maior fantasma, refém do poder multiplicador do dinheiro gerada pela dívida de manter heróis que justificam os meios, mentindo, distorcendo os fatos, ameaçando opositores usando de charme, palavras bonitas e de efeito para manter-se no poder, no cargo.
Ok, nem todos leram O Príncipe, de Maquiavel.
Realismo político e pessimismo antropológico.
Precisamos mudar esse enredo.
Conta a história que os Japoneses passam 3 anos planejando e 6 meses executando. O brasileiro não se conforma com o desperdício de tempo, passa 6 meses planejando e 3 anos executando, quando entrega a obra.
A vida é assim. Para começar a subir, é necessário primeiro parar de cavar. Quando a gente não observa e pensa para que faz o que faz, talvez esteja ainda cavando.
Até breve.
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