terça-feira, 20 de abril de 2021

QI

Pesquisado os impactos da instantaneidade, e as consequências do abandono de discussões mais profundas lastreadas na fundamentação dos fatos para entender à que? Ou à quem interessa esse impulso visceral ou se representa apenas um fenômeno da ansiedade contemporânea, me deparei com algumas coincidências intrigantes.       





Na última entrevista do Pedro Bial ao Manhattan Connection, além da exigência do polígrafo para entrevistas editadas, falavam sobre o novo documentário de Ernest Hemingway, o qual ainda não vi, mas, que aguçou minha curiosidade sobre a abordagem de particularidades controversas do jornalista escritor ora expostas. O que me remeteu a foto que tirei de sua Cornona em sua casa em Key West em que no papel dizia: Se um escritor sabe o suficiente sobre o que está escrevendo, pode omitir coisas que sabe. A dignidade do movimento de um iceberg se deve ao fato de apenas um nono estar acima da água. - Ernest Hemingway.

Fazendo um paralelo entre o brilhante escritor e o cidadão oculto, indigno pela exposição de suas profundidades. Estamos presos numa espécie de exploração da intimidade para condenação instantânea das fraquezas humanas? Reféns de conclusões precipitadas com base no efêmero?

O que me assusta nessa contemporaneidade instável é a falta de empenho no devido reconhecimento dos virtuosos para adoção de metodologias mais precisas de pesquisa natural de evolução dos processos pela estagnação no desejo visceral de exposição condenação publica desclassificatória do contraditório.

Heráclito dizia “Ninguém é capaz de mergulhar duas vezes no mesmo rio, porque a cada vez que se entra novamente, nem a água será a mesma, nem quem entra o será. Assim, tudo é regido pela dialética, só a contraposição e contradição de ideias podem levar a outras ideias, a tensão e o revezamento dos opostos. Diametralmente a realidade é fruto da mudança, ou seja, do confronto entre os contrários.”

Alguns estudos demonstram consequências profundas da limitação das discussões e que remetem a redução do QI, veja só, em países desenvolvidos o que não fará com o Brasil?

O Efeito Flynn que mede o quociente de inteligência médio (QI) que cresceu continuamente desde o segundo pós-guerra até o final dos anos 90, aponta que desde então, o QI vem diminuindo. É a inversão do Efeito Flynn.

Entre os impactos a redução do vocabulário dá origem a um pensamento quase sempre no presente, limitado ao momento, incapaz de projeções no tempo. Muitos estudos têm mostrado que parte da violência nas esferas pública e privada decorre diretamente da incapacidade de descrever as emoções em palavras. Sem palavras para construir um argumento, o pensamento complexo torna-se impossível.

Dessa forma, manter provocações ativas e constantes nessa terra árida de oportunidades, incentivadora de bajuladores, onde bajulados não se dão conta dos prejuízos de alimentar um debate estéril de ideias é um ato de resistência.

Paulinho Moska descreve com perfeição na música Muito Pouco.  

Pronto

Agora que voltou tudo ao normal

Talvez você consiga ser menos rei

E um pouco mais real

Esqueça!

As horas nunca andam para trás

Todo dia é dia de aprender um pouco

Do muito que a vida traz

Mas muito pra mim é tão pouco

E pouco é um pouco demais

Viver tá me deixando louco

Não sei mais do que sou capaz

Gritando pra não ficar rouco

Em guerra lutando por paz

Muito pra mim é tão pouco

E pouco eu não quero mais

Chega!

Não me condene pelo seu penar

Pesos e medidas não servem

Pra ninguém poder nos comparar

Porque

Eu não pertenço ao mesmo lugar

Em que você se afunda tão raso

Não dá nem pra tentar te salvar

Porque muito pra mim é tão pouco

E pouco é um pouco demais

Viver tá me deixando louco

Não sei mais do que sou capaz

Gritando pra não ficar rouco

Em guerra lutando por paz

Muito pra mim é tão pouco

E pouco eu não quero

Veja

A qualidade está inferior

E não é a quantidade que faz

A estrutura de um grande amor

Simplesmente seja





 

Até breve.

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