Pesquisado os impactos da instantaneidade,
e as consequências do abandono de discussões mais profundas lastreadas na
fundamentação dos fatos para entender à que? Ou à quem interessa esse impulso visceral
ou se representa apenas um fenômeno da ansiedade contemporânea, me deparei com algumas coincidências intrigantes.
Na última entrevista do Pedro Bial ao Manhattan Connection, além da exigência do polígrafo para entrevistas editadas, falavam sobre o novo documentário de Ernest Hemingway, o qual ainda não vi, mas, que aguçou minha curiosidade sobre a abordagem de particularidades controversas do jornalista escritor ora expostas. O que me remeteu a foto que tirei de sua Cornona em sua casa em Key West em que no papel dizia: Se um escritor sabe o suficiente sobre o que está escrevendo, pode omitir coisas que sabe. A dignidade do movimento de um iceberg se deve ao fato de apenas um nono estar acima da água. - Ernest Hemingway.
Fazendo um paralelo entre o brilhante
escritor e o cidadão oculto, indigno pela exposição de suas profundidades. Estamos
presos numa espécie de exploração da intimidade para condenação instantânea das
fraquezas humanas? Reféns de conclusões precipitadas com base no efêmero?
O que me assusta nessa
contemporaneidade instável é a falta de empenho no devido reconhecimento dos virtuosos
para adoção de metodologias mais precisas de pesquisa natural de evolução dos
processos pela estagnação no desejo visceral de exposição condenação publica desclassificatória
do contraditório.
Heráclito dizia “Ninguém é
capaz de mergulhar duas vezes no mesmo rio, porque a cada vez que se entra
novamente, nem a água será a mesma, nem quem entra o será. Assim, tudo é regido
pela dialética, só a contraposição e contradição de ideias podem levar a outras
ideias, a tensão e o revezamento dos opostos. Diametralmente a realidade é
fruto da mudança, ou seja, do confronto entre os contrários.”
Alguns estudos demonstram consequências
profundas da limitação das discussões e que remetem a redução do QI, veja só,
em países desenvolvidos o que não fará com o Brasil?
O Efeito Flynn que mede o
quociente de inteligência médio (QI) que cresceu continuamente desde o segundo
pós-guerra até o final dos anos 90, aponta que desde então, o QI vem
diminuindo. É a inversão do Efeito Flynn.
Entre os impactos a redução do
vocabulário dá origem a um pensamento quase sempre no presente, limitado ao
momento, incapaz de projeções no tempo. Muitos estudos têm mostrado que parte
da violência nas esferas pública e privada decorre diretamente da incapacidade
de descrever as emoções em palavras. Sem palavras para construir um argumento,
o pensamento complexo torna-se impossível.
Dessa forma, manter provocações ativas e constantes nessa terra árida de
oportunidades, incentivadora de bajuladores, onde bajulados não se dão conta dos prejuízos
de alimentar um debate estéril de ideias é um ato de resistência.
Paulinho
Moska descreve com perfeição na música Muito Pouco.
Pronto
Agora que voltou tudo ao normal
Talvez você consiga ser menos rei
E um pouco mais real
Esqueça!
As horas nunca andam para trás
Todo dia é dia de aprender um pouco
Do muito que a vida traz
Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louco
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouco
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais
Chega!
Não me condene pelo seu penar
Pesos e medidas não servem
Pra ninguém poder nos comparar
Porque
Eu não pertenço ao mesmo lugar
Em que você se afunda tão raso
Não dá nem pra tentar te salvar
Porque muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louco
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouco
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero
Veja
A qualidade está inferior
E não é a quantidade que faz
A estrutura de um grande amor
Simplesmente seja

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