sexta-feira, 21 de maio de 2021

Estudo e Liberdade

A capacidade e repertório de linguagem determina a complexidade dos pensamentos de uma pessoa. Quanto maior o vocabulário de uma pessoa maior será sua capacidade de compreender seus próprios sentimentos e desejos para então expressá-los por meio de palavras se relacionando com o mundo de forma mais harmoniosa e efetiva. 

Estudos recentes indicam a redução do QI global devido a redução do vocabulário, haja visto, que a redução da articulação das palavras restringe a capacidade de desenvolvimento de pensamentos mais complexos limitados as ideias imediatas. Sem a possibilidade de interpretação, compreensão e desenvolvimento de formulações mais sofisticadas, especialistas alertam as implicações resultantes dessa deficiência, entre elas o aumento da violência. 

O psicólogo Austríaco Alfred Adler, divide os traços da personalidade dos seres humanos a partir do nascimento, essa condição de fragilidade determina a linha que cada um de nós utiliza para alcançar seus objetivos por dois caminhos, sucesso ou superioridade. 

Pessoas que trilham o caminho do sucesso são mais dedicadas ao desenvolvimento coletivo e as pessoas que agem pela superioridade muitas vezes o fazem com a deterioração do coletivo. Pessoas guiadas pelo desenvolvimento coletivo são mais solicitas e dispostas a ajudar outras pessoas, por outro lado, quem age com base na superioridade tende a reforçar as deficiências como forma de assegurar seus objetivos.

O médico e matemático Enéas Carneiro definiu dentro da sua área de conhecimento, a composição dos seres humanos com base na carga genética, uma analogia entre a capacidade de armazenagem de dados de um disquete, na época, e o DNA humano. 

Seguindo a linha de raciocínio, a quantidade de dados que cada elo de DNA é capaz de armazenar, um único ser humano carrega consigo uma quantidade de informações representadas se fossem impressos em mais de 4 mil volumes. 

Carl Jung, psiquiatra e psicoterapeuta Suíço, traduz a mesma ideia matemática descrita pelo Dr. Enéas em inconsciente coletivo. Camada profunda da consciência humana, território desconhecido da ciência, mais ainda da pessoa que a carrega, imprime relevante características da personalidade e comportamento, já que as informações contidas em cada DNA representa uma cadeia ancestral milenar que nos afeta hoje. 

Essa condição, seja ela mais aguda descrita pela capacidade e domínio verbal para expressão das necessidade e desejos, ou mais ampliado pela carga genética que nos orienta foi descrita pelo filósofo, Clovis de Barros Filho, na incompreensão pelo empenho das grades curriculares no estudo das mitocôndrias e a negligência com lições básicas de convivência entre seres humanos.

Somos completamente ignorantes de nós mesmos e, por mais conhecimento que um ser humano é capaz de acumular jamais terá o domínio da profundidade da complexidade que nos envolve. 

Educação representa a capacidade de cada um definir o que significa liberdade. A percepção pessoal define a vida, que vale a pena ser vivida.




Até Breve,

segunda-feira, 17 de maio de 2021

Significado

 

Neste 17 de maio de 2021, 6 Anos do falecimento do meu pai que completaria 66 anos, minha saudade na lembrança da sua vida se confundem com a minha, mais do que a relação genética e cultural obvia, mas pela semelhança e recorrência subjetiva me pego pensando em significado.

O significado das nossas vidas, o que representamos em existência? Algumas pessoas são profundamente ligadas às memórias, outras não se conectam com a subjetividade das memórias vivendo exclusivamente a experiência do real esquecem do que é importante.

Essa percepção depende da relação de cada um com seus estímulos. Sentidos externos anestesiam a percepção subjetiva, um ambiente de luz, cores, sons, aromas, texturas são tão excitantes quanto sua recorrência, enquanto o subjetivo assusta pela profundidade de nós mesmos, optamos por permanecer na superficialidade anestesiados de externalidades cada vez mais estimuladas a atender expectativas insaciáveis.

Não me refiro aqui da dicotomia econômica entre socialismo vs capitalismo dogmas administrativos, essa “homenagem” se destina ao significado da existência humana, longe do juízo de valores ou de análises fundamentalistas.   

Quem chega à Times Square, praça mundialmente conhecida da cidade de Nova Iorque, chamada por alguns de centro do planeta, justificado pela intensa rotatividade de turistas vindos de todos os continentes do globo, é anestesiado imediatamente pelos estímulos que esse endereço é capaz de causar. A concentração cosmopolita de pessoas desperta curiosidade pela pluralidade de figuras, idiomas, culturas e roupas que circulam por ali, cada um procurando exibir sua unidade, exclusividade, individualidade nesse congestionamento cultural.

Mas é a noite que todas as suas sensações são absolutamente neutralizadas pela atividade dos seus olhos que não conseguem aportar em um ponto fixo. Completamente desorientados percorrem 360 graus a luminosidade da praça mais iluminada do planeta. Informação por todos os lados, imagens de todas as marcas do mundo, anúncios de filmes, uma escadaria que abriga uma grande bilheteria da Broadway com todas as peças de teatro, megas stores lotadas, pessoas de todos os lugares, de todos os lados, curiosos pela concentração de gente, hábitos e culturas estimulados no espetáculo do templo global.

Não longe dali, no coração da ilha de Manhattan, o central park um refúgio d-tox do centro nervoso, afastado das luzes da Times Square e do barulho do mercado de Waal Street. Pode ser que não seja possível se conectar aos seus valores individuais, perceber seu verdadeiro talento, sua vocação, ou mesmo perceber os indivíduos a sua volta, mas são os 5 minutos necessários para o próximo round ao melhor estilo Rocky Balboa. “Não importa o quanto você bate, mas sim o quanto aguenta apanhar e continuar. O quanto pode suportar e seguir em frente. É assim que se ganha.”

Qual é sua luta? Qual é sua vitória? Pelo que lutar?  

Nesse dia de lembrança que o tempo transformou em saudade, a percepção das lutas pela vida que o mesmo tempo anestesia ao longo de um ano é simbólico. Perdas pessoais de entes próximos e dos próximos da mídia, seja pelo Covid ou outros males que nos atingem aleatoriamente. Chocam as perdas precoces de jovens como do Paulo Gustavo e Bruno Covas pela interrupção da esperança, da antecipação da vida, mas machucam também perdas de referências como Eva Wilma e minha querida tia Maria Alice.

Para mim, particularmente, é o significado que desperta a responsabilidade que devemos prestar mais atenção aos detalhes anestesiados pelas externalidades. Redes sociais com mais de um milhão de amigos não cantam como prometeu Robertão, tão pouco nos aproximou.

Seguimos lutando, round após round, distanciados e cada vez mais distantes, fazendo o possível, dançando conforme a música, seguindo a viagem.

Qual é o seu significado?









Até Breve.