Neste 17 de maio de 2021, 6 Anos do falecimento do meu pai que completaria
66 anos, minha saudade na lembrança da sua vida se confundem com a minha, mais
do que a relação genética e cultural obvia, mas pela semelhança e recorrência subjetiva me pego pensando em significado.
O significado das nossas vidas, o que representamos em existência?
Algumas pessoas são profundamente ligadas às memórias, outras não se conectam com a subjetividade das memórias vivendo
exclusivamente a experiência do real esquecem do que é importante.
Essa percepção depende da relação de cada um com seus estímulos. Sentidos externos anestesiam a percepção subjetiva, um ambiente de luz, cores,
sons, aromas, texturas são tão excitantes quanto sua recorrência, enquanto o subjetivo
assusta pela profundidade de nós mesmos, optamos por permanecer na
superficialidade anestesiados de externalidades cada vez mais estimuladas a
atender expectativas insaciáveis.
Não me refiro aqui da dicotomia econômica entre socialismo vs
capitalismo dogmas administrativos, essa “homenagem” se destina ao significado
da existência humana, longe do juízo de valores ou de análises fundamentalistas.
Quem chega à Times Square, praça mundialmente conhecida da cidade de Nova Iorque, chamada por alguns de centro do planeta, justificado pela intensa rotatividade de turistas vindos de todos os continentes do globo, é anestesiado imediatamente pelos estímulos que esse endereço é capaz de causar. A concentração cosmopolita de pessoas desperta curiosidade pela pluralidade de figuras, idiomas, culturas e roupas que circulam por ali, cada um procurando exibir sua unidade, exclusividade, individualidade nesse congestionamento cultural.
Mas é a noite que todas as suas sensações são absolutamente neutralizadas pela atividade dos seus olhos que não conseguem aportar em um ponto fixo. Completamente desorientados percorrem 360 graus a luminosidade da praça mais iluminada do planeta. Informação por todos os lados, imagens de todas as marcas do mundo, anúncios de filmes, uma escadaria que abriga uma grande bilheteria da Broadway com todas as peças de teatro, megas stores lotadas, pessoas de todos os lugares, de todos os lados, curiosos pela concentração de gente, hábitos e culturas estimulados no espetáculo do templo global.
Não longe dali, no coração da ilha de Manhattan, o central
park um refúgio d-tox do centro nervoso, afastado das luzes da Times Square e do barulho
do mercado de Waal Street. Pode ser que não seja possível se conectar aos seus
valores individuais, perceber seu verdadeiro talento, sua vocação, ou mesmo
perceber os indivíduos a sua volta, mas são os 5 minutos necessários para o
próximo round ao melhor estilo Rocky Balboa. “Não importa o quanto você bate,
mas sim o quanto aguenta apanhar e continuar. O quanto pode suportar e seguir
em frente. É assim que se ganha.”
Qual é sua luta? Qual é sua vitória? Pelo que lutar?
Nesse dia de lembrança que o tempo transformou em saudade, a
percepção das lutas pela vida que o mesmo tempo anestesia ao longo de um ano é simbólico. Perdas pessoais de entes próximos e dos próximos da mídia, seja pelo Covid ou
outros males que nos atingem aleatoriamente. Chocam as perdas precoces de jovens
como do Paulo Gustavo e Bruno Covas pela interrupção da esperança, da antecipação
da vida, mas machucam também perdas de referências como Eva Wilma e minha querida tia Maria
Alice.
Para mim, particularmente, é o significado que desperta a responsabilidade
que devemos prestar mais atenção aos detalhes anestesiados pelas
externalidades. Redes sociais com mais de um milhão de amigos não cantam como
prometeu Robertão, tão pouco nos aproximou.
Seguimos lutando, round após round, distanciados e cada vez
mais distantes, fazendo o possível, dançando conforme a música, seguindo a
viagem.
Qual é o seu significado?
Até Breve.
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